.
.
..é sempre em clima festivo
quando a fogueira ata a noite
e as risadas, sem que se note
vão formando um calor,
que uma pobre vitima donzela
que é levada até uma cela,
é enforcada sua goela
pelo torto flamejante mágico voador.
bizarrices desse mito
transitam por cantos mais!
é sempre o vento que leva e trás
a noticia de um outro ataque avassalador..
seu alvo são cidades pequenas.
vilarejos.. bonitas camponesas, apenas.
horripilantes são as lembranças das cenas
do ataque do torto flamejante mágico voador.
músicas e cantigas ao seu respeito foram feitas.
umas ameaçadoras e outras bem perfeitas!
o pavor desde então se espalhou pelas colheitas
por onde caminhava o boato repreendedor..
conta-se até a história da amiga da filha do padeiro
que é sobrinha dum amigo do ferreiro
que depois de viajar o mundo inteiro,
foi dilacerada pelo torto flamejante mágico voador.
sendo assim, nao se sabe se é pra rir ou pra temer
essa história inusitada que, ao meu ver,
nao fez sentido algum para o leitor..
cuidado e sempre fique atento!
não se sabe até onde é real ou invento,
pelo menos, não até o momento,
a história do torto flamejante mágico voador..
(Guilherme Reis Holanda)
segunda-feira, 21 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
libertai-vos!
.
.
curioso sentimento foi esse que se desfez..
depois de muito tempo foi todo embora de uma vez!
juro que nao entendo como que essas coisas mundanas são..
num instante,
o importante.
no outro momento,
perde a razão.
pra não dizerem que sou convencido
digo até o que não devia:
procuro nos seus olhos de brilho
(e não no brilho dos seus olhos)
a formula antiga estigmada,
em que se equacionava a minha paixão de mania.
sumiu entre o suor e a poeira!
sinto-me livre do pesado grilhão que me envolvia.
espero que isso tudo vire piada num bar!
.. não me esqueço:
fomos grandes amigos, fomos grandes irmãos algum dia..
(Guilherme Reis Holanda)
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curioso sentimento foi esse que se desfez..
depois de muito tempo foi todo embora de uma vez!
juro que nao entendo como que essas coisas mundanas são..
num instante,
o importante.
no outro momento,
perde a razão.
pra não dizerem que sou convencido
digo até o que não devia:
procuro nos seus olhos de brilho
(e não no brilho dos seus olhos)
a formula antiga estigmada,
em que se equacionava a minha paixão de mania.
sumiu entre o suor e a poeira!
sinto-me livre do pesado grilhão que me envolvia.
espero que isso tudo vire piada num bar!
.. não me esqueço:
fomos grandes amigos, fomos grandes irmãos algum dia..
(Guilherme Reis Holanda)
sexta-feira, 11 de junho de 2010
uma noite tal
.
.
reparo nas histórias por entre meus dedos.
vivi, cresci
(e que haja ambiguidade nesse verbo!)
nessa noite calma e clara
aprecio a luz elétrica entrando por entre o quarto escuro
reluzindo na taça de cristal..
giro a taça,
sorrio ao vinho tinto!
..esse novo quarto,
veio em novos ares,
marcando uma nova vida.
..e minha alma grita, mesmo sem entender,
os versos de strawberry fields forever,
strawberry fields forever,
strawberry fields forever..
enquanto isso espero o sono me acabar
ou qualquer outra mensagem chegar...
(Guilherme Reis Holanda)
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reparo nas histórias por entre meus dedos.
vivi, cresci
(e que haja ambiguidade nesse verbo!)
nessa noite calma e clara
aprecio a luz elétrica entrando por entre o quarto escuro
reluzindo na taça de cristal..
giro a taça,
sorrio ao vinho tinto!
..esse novo quarto,
veio em novos ares,
marcando uma nova vida.
..e minha alma grita, mesmo sem entender,
os versos de strawberry fields forever,
strawberry fields forever,
strawberry fields forever..
enquanto isso espero o sono me acabar
ou qualquer outra mensagem chegar...
(Guilherme Reis Holanda)
segunda-feira, 31 de maio de 2010
vinhetamor
.
.
a diferença é sutil:
uma mulher que se cuida tem a vida amorosa que quer.
um homem que se cuida tem a vida amorosa que pode.
(Guilherme Reis Holanda)
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a diferença é sutil:
uma mulher que se cuida tem a vida amorosa que quer.
um homem que se cuida tem a vida amorosa que pode.
(Guilherme Reis Holanda)
sábado, 29 de maio de 2010
ao passaro que aprendeu a voar:
.
.
me encomoda o silêncio perpétuo do teu quarto.
me recordo de coisas do teu quarto,
me reflito de coisas do teu quarto,
me dominam as coisas do teu quarto,
me acomoda o silêncio perpétuo do teu quarto.
e a porta perpetuamente entreaberta.
(Guilherme Reis Holanda)
.
me encomoda o silêncio perpétuo do teu quarto.
me recordo de coisas do teu quarto,
me reflito de coisas do teu quarto,
me dominam as coisas do teu quarto,
me acomoda o silêncio perpétuo do teu quarto.
e a porta perpetuamente entreaberta.
(Guilherme Reis Holanda)
terça-feira, 25 de maio de 2010
versos desequilibrados
.
.
Nessa mescla de integridade e degeneração,
nao sei como me classifico.
se sou domador:
impositor e fraquejante;
ou como leão:
feroz e subimisso.
(Guilherme Reis Holanda)
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Nessa mescla de integridade e degeneração,
nao sei como me classifico.
se sou domador:
impositor e fraquejante;
ou como leão:
feroz e subimisso.
(Guilherme Reis Holanda)
domingo, 23 de maio de 2010
destorcitose
.
.
foi nessa noite fragorosa,
em que implorei o abrigo de uma triste companhia..
negado, eu apertei o espinho da rosa
enquanto sua seiva jorrava em minha face e a rosa sorria.
outrora quando fui cravo
e, embaixo de uma sacada, com a rosa, me desentendia
vi que ela não tinha piedade. quase que cavo
a cova que vou me guardar pensando no passado qualquer dia.
..e enquanto a mente voa,
idéias mirabolantes surgem à toa.
me apresso pra, da história ou desses dias, chegar o fim.
Ao lado da rosa, o vermelho me destoa.
tento levar o barco cortando o vento de proa
enquanto percebo que tenho vergonha de mim.
(Guilherme Reis Holanda)
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foi nessa noite fragorosa,
em que implorei o abrigo de uma triste companhia..
negado, eu apertei o espinho da rosa
enquanto sua seiva jorrava em minha face e a rosa sorria.
outrora quando fui cravo
e, embaixo de uma sacada, com a rosa, me desentendia
vi que ela não tinha piedade. quase que cavo
a cova que vou me guardar pensando no passado qualquer dia.
..e enquanto a mente voa,
idéias mirabolantes surgem à toa.
me apresso pra, da história ou desses dias, chegar o fim.
Ao lado da rosa, o vermelho me destoa.
tento levar o barco cortando o vento de proa
enquanto percebo que tenho vergonha de mim.
(Guilherme Reis Holanda)
quinta-feira, 20 de maio de 2010
2010.1
.
.
quero o silêncio e o escuro do meu quarto
pra da vida sentir o simples, o sensato
morrer de infarto de tão farto
de amar e amar!
admirar o errado que convém,
ser mais de mim pra ser mais de alguém,
fugir da história de esperar um trem
e o trem nunca chegar!
assim, auto-afirmo que sinto até de tudo
e não fico cego, surdo e mudo
pras mazelas desse mundo
esperando o sino badalar.
mas preciso de um tempo pra cuidar de mim.
pensando bem, quem sabe assim
no futuro que vem lá pro fim
mais coisas farei pra ajudar.
..e a mulher que amo, que me ame como eu,
pois sem isso, nao sustento o que a vida me dá e me deu.
me sentiria acorrentado como Prometeu
pra no rochedo da eternidade sofrer por esperar
e esperar
e esperar..
(Guilherme Reis Holanda)
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quero o silêncio e o escuro do meu quarto
pra da vida sentir o simples, o sensato
morrer de infarto de tão farto
de amar e amar!
admirar o errado que convém,
ser mais de mim pra ser mais de alguém,
fugir da história de esperar um trem
e o trem nunca chegar!
assim, auto-afirmo que sinto até de tudo
e não fico cego, surdo e mudo
pras mazelas desse mundo
esperando o sino badalar.
mas preciso de um tempo pra cuidar de mim.
pensando bem, quem sabe assim
no futuro que vem lá pro fim
mais coisas farei pra ajudar.
..e a mulher que amo, que me ame como eu,
pois sem isso, nao sustento o que a vida me dá e me deu.
me sentiria acorrentado como Prometeu
pra no rochedo da eternidade sofrer por esperar
e esperar
e esperar..
(Guilherme Reis Holanda)
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Catarse
.
.
pego os meus cabelos,
os puxo. dane-se o estrago que faça!
com expressão de desespero
me sinto arrancando uma carapaça.
esqueço e deformo por um instante a idéia de vaidade que tive um dia.
lagrimas retorcidas descem a minha face.
tento fazer da escrita uma catarse
pra me libertar das infindáveis dores que sinto nessa noite fria.
me lembro do que fiz..
sou banal. um escrúpulo.
arquitectei, construí, sepultei um sentimento em, de mármore, um túmulo.
ácida corrosão me trás tal dor!
eu, pensando que sabia tanto do amor,
fiz essa rima idiota.
agora, meus desencantadíssimos sonhos, como um todo, são reais.
sinto como a vida leva e trás
a morte pra bater em nossa porta..
bato no peito
apesar de ficar sem ar.
olho por cima
apesar de nada enxergar.
respiro com vontade
apesar de nenhum cheiro aproveitar.
reconheço que isso é o futuro..
caminho nesse vão do nada mais
e nao esqueço do que vem por trás:
são as lembranças projetadas no vazio do escuro.
(Guilherme Reis Holanda)
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pego os meus cabelos,
os puxo. dane-se o estrago que faça!
com expressão de desespero
me sinto arrancando uma carapaça.
esqueço e deformo por um instante a idéia de vaidade que tive um dia.
lagrimas retorcidas descem a minha face.
tento fazer da escrita uma catarse
pra me libertar das infindáveis dores que sinto nessa noite fria.
me lembro do que fiz..
sou banal. um escrúpulo.
arquitectei, construí, sepultei um sentimento em, de mármore, um túmulo.
ácida corrosão me trás tal dor!
eu, pensando que sabia tanto do amor,
fiz essa rima idiota.
agora, meus desencantadíssimos sonhos, como um todo, são reais.
sinto como a vida leva e trás
a morte pra bater em nossa porta..
bato no peito
apesar de ficar sem ar.
olho por cima
apesar de nada enxergar.
respiro com vontade
apesar de nenhum cheiro aproveitar.
reconheço que isso é o futuro..
caminho nesse vão do nada mais
e nao esqueço do que vem por trás:
são as lembranças projetadas no vazio do escuro.
(Guilherme Reis Holanda)
quinta-feira, 11 de março de 2010
Uma noite no Hospital
.
.
A rotira era cansativa.
Os dias começavam cedo,
As noites acabavam tarde.
Não nos perguntavam se queriamos acordar
Ou se estavamos prontos para dormir.
A luz se acendia e apagava de acordo com o interesse dos superiores.
Era nessa embarcação que eu me encontrava.
Marinheiros enfermeiros e comandantes médicos transitavam.
Alguns de boa vontade, outros sem rumo.
Enquanto isso a tripulação flutuava no mar de lágrimas dos mortais.
Esses se ajudavam para sobreviver.
Alguns vinham,
enchiam o ar de penosos gritos
e partiam antes da hora,
Deixando suspeitosas almas inacabadas.
Outros davam a sorte de atravessar as tormentas...
E a embarcação navegava sobre (ou sob) este fragoroso mar!
Buscava incansavelmente por uma única especiaria,
A qual se encontrava no mundo inteiro,
E, apesar disso, era extremamente rara.
Especiaria esta que não cabia numa bolsa,
Não cabia num cofre,
Não cabia em um corpo..
Este barco sem vela e à deriva procurava a vida!
(Guilherme Reis Holanda)
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A rotira era cansativa.
Os dias começavam cedo,
As noites acabavam tarde.
Não nos perguntavam se queriamos acordar
Ou se estavamos prontos para dormir.
A luz se acendia e apagava de acordo com o interesse dos superiores.
Era nessa embarcação que eu me encontrava.
Marinheiros enfermeiros e comandantes médicos transitavam.
Alguns de boa vontade, outros sem rumo.
Enquanto isso a tripulação flutuava no mar de lágrimas dos mortais.
Esses se ajudavam para sobreviver.
Alguns vinham,
enchiam o ar de penosos gritos
e partiam antes da hora,
Deixando suspeitosas almas inacabadas.
Outros davam a sorte de atravessar as tormentas...
E a embarcação navegava sobre (ou sob) este fragoroso mar!
Buscava incansavelmente por uma única especiaria,
A qual se encontrava no mundo inteiro,
E, apesar disso, era extremamente rara.
Especiaria esta que não cabia numa bolsa,
Não cabia num cofre,
Não cabia em um corpo..
Este barco sem vela e à deriva procurava a vida!
(Guilherme Reis Holanda)
quinta-feira, 4 de março de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Último dia
.
.
Imaginei o que escrever na minha lápide coreana imaginária:
Momento único.
Aliás, todos são.
Escrevo de qualquer jeito minha estadia por essas terras..
Pensando bem, distancia física não me impressiona!
Afinal, o que é estar do outro lado do planeta pra quem já viajou 18 anos em volta do sol?
Na realidade, o impressionante é o Irreal:
No mundo das idéias eu viajei para outra galáxia. Quem sabe, mais de uma.
Posso ter sentido tudo por aqui, menos descanso.
Vivi uma vida paralela,
Vivi uma vida pesada,
Vivi uma vida temporária.
Agonia semelhante de um cancerígeno..
Eu tenho cura!
(Guilherme Reis Holanda)
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Imaginei o que escrever na minha lápide coreana imaginária:
Momento único.
Aliás, todos são.
Escrevo de qualquer jeito minha estadia por essas terras..
Pensando bem, distancia física não me impressiona!
Afinal, o que é estar do outro lado do planeta pra quem já viajou 18 anos em volta do sol?
Na realidade, o impressionante é o Irreal:
No mundo das idéias eu viajei para outra galáxia. Quem sabe, mais de uma.
Posso ter sentido tudo por aqui, menos descanso.
Vivi uma vida paralela,
Vivi uma vida pesada,
Vivi uma vida temporária.
Agonia semelhante de um cancerígeno..
Eu tenho cura!
(Guilherme Reis Holanda)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
aleatoreamente vivo
.
.
eu rio de tudo que a vida me trás e leva!
não é ingenuidade ou otimismo..
é minha maneira de andar na treva!
é o fluxo do rio de etapas que me carrega,
quem sabe para a beira dum abismo!
não vejo impecilhos como ruindade..
sei que no final de cada corredor há uma pitada de felicidade..
para atravessá-lo, exige calma. mestria.
ver minha perna caminhando é sentimento aberto!
e mesmo depois de tal perfeita ideologia,
me sinto humano, incompleto
com os pés no chão, nao alcanço o teto!
...sei que mudarei de ideia, denovo, um outro dia!
coisa louca!
me escreveram em algum canto?
minha vida, num todo, é tão pouca...
por que pra mim significa tanto?
enquanto vivo nessa bola,
nesse embolo,
nesse nó que me afeta,
danço sapateado sobre as linhas tortas..
ao par dos versos de um esquimó poeta.
(Guilherme Reis Holanda)
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eu rio de tudo que a vida me trás e leva!
não é ingenuidade ou otimismo..
é minha maneira de andar na treva!
é o fluxo do rio de etapas que me carrega,
quem sabe para a beira dum abismo!
não vejo impecilhos como ruindade..
sei que no final de cada corredor há uma pitada de felicidade..
para atravessá-lo, exige calma. mestria.
ver minha perna caminhando é sentimento aberto!
e mesmo depois de tal perfeita ideologia,
me sinto humano, incompleto
com os pés no chão, nao alcanço o teto!
...sei que mudarei de ideia, denovo, um outro dia!
coisa louca!
me escreveram em algum canto?
minha vida, num todo, é tão pouca...
por que pra mim significa tanto?
enquanto vivo nessa bola,
nesse embolo,
nesse nó que me afeta,
danço sapateado sobre as linhas tortas..
ao par dos versos de um esquimó poeta.
(Guilherme Reis Holanda)
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Conto desnecessário
.
.Tinha começado como um dia parecido com os outros, e isso já era motivo para ser diferente. A agitação foi aparecer por volta de dezenove horas e nos ouvidos do menino, que nao previu o acidente ao elaborar seus planos de revolta horas antes, soava cada vez mais intensa a Marcha Eslava de Tchaikovsky de um pequeno rádio indesligável que distanciava dois quarteirões dali.
Era inicio de tarde ainda quando seu rosto se enxaguou. Na casa de sua amante, o menino sonhava com uma pequena pitada de liberdade em sua iniciante vida. Seus pés se prenderam nas injustiças do caminho, e, como cipós ardentes, o arrastaram para dentro de uma alcova fétida e úmida. Enclausurado da mais profunda agonia de não viver, resolveu encarar seu pai e, de uma vez por todas, eliminar as correntes enferrujadas de seus punhos e tornozelos.
Sua amante advertiu.
Entre os dois existia uma transcendência espiritual que levava a compreensão além do amor, mas ele não pode se conter em caminhar para trás. Sabia que era preciso uma atitude decisiva naquele jogo. Os carinhos da moça o prepararam mentalmente para tal feito.
Dezessete horas. Saiu à rua. A sua caminhada infindável até seu apartamento foi atrasada inicialmente pelo encontro com quatro palhaços e um campo de orquideas que na ida não estava ali. Aos poucos as cores foram se transformando em moscas. Ao chegar em casa, o jantar estava posto. Aquela postura de familia normal pulsava ódio em suas veias. Foi então que seu pai novamente abriu o tópico:
- E você, nada quer da vida? Só sabe ficar por aí fazendo esses lixos que você chama de arte?
Seu sangue virou um exército. Seus vasos viraram quartéis. Suas idéias viraram guerra. Retrucou:
-É notável que um primata troglodita que nem você não entenda a essência de viver. Beirando a morte, ainda não descobriste o que é felicidade. Olhe ao seu redor. Essa merda que você chama de família te odeia. Seu fim é previsível: A solidão.
Num impulso quase que magnético, o pai do menino levantou a mão e com um golpe certeiro o jogou no chão. A atmosfera da cozinha era seca, de algum fundo infernal saiam sentimentos que icendiavam a cena com uma luz vermelha e o pequeno rádio berrava canções de morte inaldíveis ao ouvido humano.
Foi então que a biologia mutante junto à organização atomística fizeram seu papel. O menino sentiu um frio na mente e uma infervecencia nos músculos. Seus olhos reviraram para o nada e seu corpo tremeu. Tremeu uma dança sem ritmo. Tremeu o silêncio da música que não tocava, e depois de travessia do corredor eterno da insanidade, percebeu que tal convulsão o tirara as pernas...
Depois de ter sido rejeitada pelo rapaz, agora paralítico, sua amada quebrava o chão de casa valsando a sonata mais triste de Beethoven, que vinha de quatro rádios a dois quarteirões dali. Uma labareda de fogo saiu de sua lareira, chicoteou risos pela casa e acolheu as menina em seus braços transformando-a em cinzas.
Assim, ela pôde deleitar-se no aconchego da lenha carbonizada e repensar na essência dos minerais que nos compõe. Desde sua água corpórea ebulindo ao seus sais pipocando nas chamas, percebeu, finalmente, que carbonos em qualquer estado físico também contêm alma.
(Guilherme Reis Holanda)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Sonho alado no céu coreano
.
.
Tive um dia de sonhador!
Maluco que sou, sonhei acordado com um vôo planar..
Tive a sorte de me ver voar
Pelos cantos de onde nao vivi!
Curiosamente, de cima, não era a paisagem que me excitava
E sim um cheiro encomodante que senti por onde eu passava
E, sobre ele, refleti:
Era o cheiro da lembrança!
Lembrança daqueles que chamo de amigo..
Estes sim, me ensinaram a dançar a dança
Da vida! E é neles que contruo meu abrigo..
Mas, não era este o odor que realmente me encomodou ao voar..
Sendo assim, continuei a vasculhar minha mente
E achei um odor que poderia ser o que me chateava..
Era o odor das máquinas e do estaleiro que trabalhava
Num ritmo frenético, massante e insensivelmente.
Cheiro de fumaça. Ferro quente!
Mas também nao era este que me preocupava..
Depois, percebi onde se batiam as ideias do meu mundo..
Pessoas com o seu odor imundo
Se debatiam, epileticas, exalando tal essência pútrida no ar..
Não culpo todas! Há um grupo seleto
Que fazem do resto dejeto
E não percebem seu papel fétido de decompositores do Amar..
Decompositores da compaixão. Da igualdade. Do bem-estar..
E é no meio de toda esta canificina humana que me encontro!
Caí do vôo, desajeitado.. Derrapei, comi terra, fiquei tonto
E nesse mar de amebas flácidas estou preso desde então..
Nessa ira de estética, fortuna, exibicionismo, possessão e consumismo
Existem privilegiados canibais. Outros milhões se afogam no abismo
E num ciclo vicioso impedem os sonhadores de voar com o cheiro da podridão.
(Guilherme Reis Holanda)
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Tive um dia de sonhador!
Maluco que sou, sonhei acordado com um vôo planar..
Tive a sorte de me ver voar
Pelos cantos de onde nao vivi!
Curiosamente, de cima, não era a paisagem que me excitava
E sim um cheiro encomodante que senti por onde eu passava
E, sobre ele, refleti:
Era o cheiro da lembrança!
Lembrança daqueles que chamo de amigo..
Estes sim, me ensinaram a dançar a dança
Da vida! E é neles que contruo meu abrigo..
Mas, não era este o odor que realmente me encomodou ao voar..
Sendo assim, continuei a vasculhar minha mente
E achei um odor que poderia ser o que me chateava..
Era o odor das máquinas e do estaleiro que trabalhava
Num ritmo frenético, massante e insensivelmente.
Cheiro de fumaça. Ferro quente!
Mas também nao era este que me preocupava..
Depois, percebi onde se batiam as ideias do meu mundo..
Pessoas com o seu odor imundo
Se debatiam, epileticas, exalando tal essência pútrida no ar..
Não culpo todas! Há um grupo seleto
Que fazem do resto dejeto
E não percebem seu papel fétido de decompositores do Amar..
Decompositores da compaixão. Da igualdade. Do bem-estar..
E é no meio de toda esta canificina humana que me encontro!
Caí do vôo, desajeitado.. Derrapei, comi terra, fiquei tonto
E nesse mar de amebas flácidas estou preso desde então..
Nessa ira de estética, fortuna, exibicionismo, possessão e consumismo
Existem privilegiados canibais. Outros milhões se afogam no abismo
E num ciclo vicioso impedem os sonhadores de voar com o cheiro da podridão.
(Guilherme Reis Holanda)
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Aos meus dias doente
.
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desconheci o sono dos desesperados
agora sinto a agonia dos carbonizados
enclausurados em chamas vil..
Nesses grilhões de dor acorrentados
Sinto-me no horror dos condenados..
Nesta dor de gente febril..
Sonho e realidade são misturados
Nesses pensamentos por cobras envenenados..
Vi um vulto por aqui. Não sei se mais alguém viu.
(Guilherme Reis Holanda)
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desconheci o sono dos desesperados
agora sinto a agonia dos carbonizados
enclausurados em chamas vil..
Nesses grilhões de dor acorrentados
Sinto-me no horror dos condenados..
Nesta dor de gente febril..
Sonho e realidade são misturados
Nesses pensamentos por cobras envenenados..
Vi um vulto por aqui. Não sei se mais alguém viu.
(Guilherme Reis Holanda)
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Momento Coreano
.
.
ponho as minhas roupas..
uma blusa, duas blusas, um casaco, o cachecol..
abro a porta, travo uma luta num lugar que, mesmo com sol,
o frio é cortante. ando por ruas novas a esmo!
as ansiedades nao sao poucas..
afogar-se em solidão, de positivo há um ponto.
reforçarei a maturidade de um homem que sempre encontro:
reforçarei a personalidade de eu mesmo.
(Guilherme Reis Holanda)
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ponho as minhas roupas..
uma blusa, duas blusas, um casaco, o cachecol..
abro a porta, travo uma luta num lugar que, mesmo com sol,
o frio é cortante. ando por ruas novas a esmo!
as ansiedades nao sao poucas..
afogar-se em solidão, de positivo há um ponto.
reforçarei a maturidade de um homem que sempre encontro:
reforçarei a personalidade de eu mesmo.
(Guilherme Reis Holanda)
À uma companheira significante e instantânea de vôo
.
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Lembrarei de ti.
Te penso e te lembro como um bom amigo,
porém, por culpa do destino,
a vida nos deu apenas 10 horas desse companheirismo celestial..
Te guardarei como um frasco de creme,
Portador de um cheiro que me treme,
Mesmo quase vazio...
Pois 30ml é o permitido em vôo internacional.
(Guilherme Reis Holanda)
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Lembrarei de ti.
Te penso e te lembro como um bom amigo,
porém, por culpa do destino,
a vida nos deu apenas 10 horas desse companheirismo celestial..
Te guardarei como um frasco de creme,
Portador de um cheiro que me treme,
Mesmo quase vazio...
Pois 30ml é o permitido em vôo internacional.
(Guilherme Reis Holanda)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Pseudo-perdição confortável
.
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nesse momento nostalgio, sinto bem o cheiro de talco
representando a inocência que tive em um qualquer verão..
agora, me impressiono no modo que manuseio o alcool
e penso exageradamente: virei um beberrão!
mas, quem sabe, de bebê para beberrão
exista até uma tendencia natural..
afinal, são quatro letras, um til, um pouco de entonação
e, de repente, um bom ponto final!
só sei que acredito nesses versos tão intensamente
que até os classificaria como bíblicos versículos!
não sei dizer se o álcool é como alfinetadas na minha mente
ou como uma dúzia de pancadas nos testículos!
(Guilherme Reis Holanda)
.
nesse momento nostalgio, sinto bem o cheiro de talco
representando a inocência que tive em um qualquer verão..
agora, me impressiono no modo que manuseio o alcool
e penso exageradamente: virei um beberrão!
mas, quem sabe, de bebê para beberrão
exista até uma tendencia natural..
afinal, são quatro letras, um til, um pouco de entonação
e, de repente, um bom ponto final!
só sei que acredito nesses versos tão intensamente
que até os classificaria como bíblicos versículos!
não sei dizer se o álcool é como alfinetadas na minha mente
ou como uma dúzia de pancadas nos testículos!
(Guilherme Reis Holanda)
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