sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Esferivivencia

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me recordo de ter ouvido ou visto em algum lugar
entre essas tortosas coisas que se esbarra pela vida
que uma esfera seria a forma estrutural perfeita na natureza...

e, depois de nunca ter levado esta tal afirmação comica à sério,
hoje, ao topar com meia dúzia ou menos de bolinhas de gude pela rua
sua esfericidade me fez dar uma olhada no espelho:
dedos, braços, musculos, pernas... homens não são bolhas,
mas talvez devessemos ser na alma
e nos comportar como tais:

sejamos uma bolha de sabão: elas trazem o unico estouro que não ofende. alegra.
sejamos como os astros: habitemos dentro de nós todas as vidas. alguns aquecendo,
vezes girando, não nos perdendo e nos admirando entre si.
e, até mesmo, sejamos como as bolinhas de gude:
tendo a certeza de que cada batida entre uma e outra
não passa de uma brincadeira para nos trazer a mais pura felicidade de criança.


(Guilherme Reis Holanda)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Surpreendência

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Como em outros momentos passados, nunca desejei fazer deste blog um lugar se não um armazém de minhas poesias.
Porém, há acontecimentos no dia-a-dia que são merecedores de serem comentados, propagados e lidos por todos.

Tinha acabado de sair da casa de uma amiga. Esta estava extremamente preocupada pela minha andança noturna.
Eu caminhava por ruas traiçoeiras e desertas após ouvir alguns barulhos de fuzis, dominado pela escuridão do medo e com o desejo insaciável de se chegar na segurança do meu lar.
Mesmo no meio de toda a aflição, continuei. Caminhei ao encontro do transporte coletivo mais próximo que poderia me levar para perto de casa.
Fatos passados pertubavam minha mente. Lembrei-me do que ocorrera com irmã minha dias atrás em um destes transportes: Um pseudo-sequestro que poderia te-la levado aonde nem os videntes saberiam dizer..
Com todo o meu preconceito defensor misturado ao meu instinto de sobrevivencia, entrei em um transporte nao-autorizado -o que é extremamente comum na região em que moro-, pois estava com pressa e percebi que este estava praticamente lotado, logo, seria dificil alguma tentativa ou chance de assalto.

Ao entrar no tal veículo, me embolou a lingua. Me faltou o ar. Estava na minha frente um motorista que, de acordo com o meu preconceito forçado pelo medo, deveria ser irracionalmente desumano.
Mas, felizmente, esta noite me enganei..
Talvez você, meu leitor, nao conheça, mas acredite no que digo! Estava ele ouvindo no seu toca CD uma obra prima de humanismo. Uma fonte iluminada de sabedoria. Degustando uma raridade nos dias atuais. Ele estava ouvindo o CD The Wall do Pink Floyd.

Ali eu me emocionei.

Logo eu, que andava tão descrente do futuro, afogado na dúvida do amanhã, tive a sensibilidade de me encantar com a qualidade da vida que ainda me faz lutar, que ainda me faz ver um sentido em viver: A surpreendência.
Me surpreendi em ver que tal pessoa, provavelemente pertencente à uma camada social menos favorecia e menos preocupada em se tornar humana, apreciava o sabor de tais musicas que transbordavam aprendizados!

Engoli seco. Pensei 10 vezes: Falo com ele? Não falo? O que falar? Seria ridiculo parabenizá-lo?
Misturado à dúvida, meu coração subia para mil batimentos por milésimo.
Não indentifiquei se esta aceleração cardiaca foi devido ao meu emocional abalado com a situação ou pela sensação de querer puxar assunto com um desconhecido -limitação esta que herdei da sociedade-.

Penso, agora, que foram os dois.

...
Ao descer do transporte, eu disse poucas palavras ao motorista:
-Foi o senhor que botou esse CD para tocar?
-Sim, fui eu sim.
-Deus! Genial. Isto ainda me faz acreditar na mudança do nosso mundo.

E, como se nada tivesse acontecido, ele prosseguiu viagem, e, acredito eu, pensando na encruzilhada que a vida lhe aprontara.
Subi a rua de casa.
Meu corpo não havia parado de se estremecer.
Aos prantos, senti dentro de mim algo que talvez as proximas palavras não descrevam:
Senti a vibração de um rugido ensurdecente de esperança.
Invadiu-me uma fé cega que me faria apostar tudo na mudança do mundo; na mudança da história da vida.

E é nesses dias, que eu vibro de alegria, minha alma se encharca das minhas lagrimas, e deixo uma mensagem que espero que toque a essência de você, meu leitor, que acredita e anseia por dias melhores:
Nunca deixe de acreditar, pois, por mais perdida que pareça a estrada do bosque, até as árvores inertes ainda hão de nos surpreender.


(Guilherme Reis Holanda)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Dragão Claro

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Em você, direi o que percebo:
Um dragão adormecido.
Iluminado.
Escamas douradas, reluzentes!
porém, até então, foscas...
No futuro, o vejo derrubando reinos e castelos!
Faria isso com beleza, gloriosidade!
os raios cegantes de sua majestade
seriam suficientes para eliminar o mal
e os corações puros louvariam
o seu voo rasante, ouro branco pelos céus..

me aproximo desta besta fera!
me sinto pequeno dentro disso tudo.
volta e meia, em pequeno despertar,
seus olhos me dizem palavras inaldiveis
transmitem pensamentos sensíveis..
viajo ao mundo dos sonhos em uma passagem só de ida!
esses olhos me dizem o que é você.
atravessaria o mundo para ver
esses olhos que me estremecem de vida!


(Guilherme Reis Holanda)

Vinheta

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com minha autosuficiencia
aprendo o principal para vivência:
sonhar mais acordado do que dormindo!


(Guilherme Reis Holanda)

Futuro, fé, estupidez e algo mais

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a escuridão veio nua
sussurrar no meu ouvido por estes tempos..
diz-me de tudo: futuros acontecimentos
que, ao ouvir, minha pele sua.

me fez perceber que a idéia pura e crua
de se reencarnar pode ser verdade.
admiro quem nao pertence a essa era;
a essa idade.
e, com facilidade, na sabedoria mergulha;
flutua.

não vieram de agora!
é o peso de almas vividas que os habitam.
muitos calmos... outros, gritam!
sabem que é chegada a hora.

hora esta de pensar.
idade da pedra, do bronze, do ferro.
nessa dúvida me emperro:
que idade devemos estar?

de acordo com as escrituras,
maias, astecas, profetas e loucuras
o fim está por vir pela frente...

e eu? aonde estou?
minha sede adquire conhecimento apenas onde eu vou.
por isso, me sinto idiota. me sinto demente.


(Guilherme Reis Holanda)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Dia-a-dia

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o dia me acordou bem;
botei camisa de cor amarelo.
assim, fortaleci o elo
entre respirar e bem-estar.

depois, a luz se escondeu;
a noite veio crua.
vesti-me com camisa azul-escura
e me pus a pensar:

em algum lugar ou canto
o claro se esconde...
lembrei com breve espanto
que neruda me disse onde!

se esconde num poço que fiquei a pescar;
tentei fisgar a luminosidade.
percebi que com apenas um anzol nao se aproveita toda essa luz, esse mar...
pescarei por toda a vida! pescarei por toda a eternidade!


(Guilherme Reis Holanda)

-Monólogo de uma mulher vivida para dois adolecentes

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Nunca pensei em botar aqui uma prosa.
Mas, hoje, entre travas e línguas, presenciei o depoimento de uma mulher beirando os 50 anos, conversando comigo e com uma amiga, e é digno de ser exibido.
... Resumindo e adaptando em miúdos, suas palavras diziam:

"eu falhei.
minha geração falhou.
tentamos impedir a máquina, mas de jeito errado.
pegamos em paus, pegamos em pedras, e tentamos espancar a máquina de lado...
mas esquecemos que ela é de rígida, fria, de metal, de ouro...
vocês são a luz do novo milênio. pessoas devem ser como vocês: com capacidade intelectual, com critica!
não façam o que fiz...
entrem na roda viva! entrem na maquina, e, devagar, mesmo que milenarmente, mudem engrenagem por engrenagem.."

...

é preciso competência!
competência para entrar nesta realidade!
competência para entrar e não pertencer a ela...
pois, se nos deixarmos levar, morreremos da morte mais cruel:
morreremos de loucura. morreremos de insanidade.


(Guilherme Reis Holanda)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Doce Fruta Minha...

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foi em tempo passado
que senti o gosto doce e amargo
dessa tal fruta orvalhada.
as gotas de agua sobre a casca
davam sede de mar!
a cor rosa-quente
me atraía pelo olhar!
mas a fruta caiu...
afinal, elas caem.

pensei nas consequencias
da gravidade e da colisão.
combinadas, fariam da fruta
adubo virado p'ro chão.
chão de concreto!
a grama havia sumido..
a penumbra dominou seu lugar,
porém,
o seu brilho, a suculência
nunca perderam a essência
e continuaram a me encantar!

nao satisfeito,
driblei arvores mil,
escapei da selva de pedra,
penetrei aonde estavas repousada
e, com um tiro de luz,
a penumbra se esvaiu.

agora, me sinto por completo!
se mais do mal aparecer,
esquivo.
na fruta, sinto coração bater...
...vivo!


(Guilherme Reis Holanda)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Amor assim

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na mente é pensamento.
leve.
no coração é sentimento.
pesa.
do corpo peço incêndio.
vezes dor.
da alma peço parte.
peço amor!



(Guilherme Reis Holanda)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ouça, você quem seja!

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Sei que não tenho honra para me igualar a tal voz,
mas me vejo como a Raquel de Queiroz
Quando diz que não simpatiza com a crença.

Disse: Não tenho culpa se deus (ou Deus) me fez com pouca fé.
Particularmente acredito na metafísica, até.
Mas valorizo o que se toca. O que se pensa.


(Guilherme Reis Holanda)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Para meu irmão

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Penso no peso das minhas partes,
Desde a mente até os pés.
Piso no ponto onde começam as artes,
Desde o que se sente ao que tu és!

É na poesia que expresso o enigma:
Muito além de pi ou sigma,
Nossa ligação é perpétua!

E os momentos de chorar e rir
Transbordam o que não se pode medir
Nem com letra, nem com régua!


(Guilherme Reis Holanda)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

É preciso tê-la

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me apeguei à simplicidade
e prego a sua utilidade
em tudo que faço e com todos que converso.
com ela as coisas fluem
e, assim, constituem,
por exemplo, esse verso.

mas procuro um estagio elevado!
um estagio que se grita com fervor.
esse estagio procurado
é quando, com a escrita,
se diz a simplicidade do amor.


(Guilherme Reis Holanda)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Diferenças Semelhantes

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Outrora as falas se batiam,
Se arremessavam,
Tentavam ocupar um mesmo espaço.

Refleti.

És semelhante,
Por que praticar uma cultura incessante
De se confrontar aqui e ali?

Mesmo com diferentes pontos de vista
E toda humilhação,
Usufruo da minha dádiva existencialista:
O perdão.


(Guilherme Reis Holanda)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

- a twisted mind!

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Outrora os ponteiros giravam no compasso de outrem
A mente sucumbe nos confins da insanidade
E no farfalhar de outras asas viajava ao além
Deliberadamente, a consciência se evade
Decadente, amarra-se e se faz refém,
Corroem-se as entranhas de falsa necessidade

De se estar buscando a cura é a idéia que se tem
Vê o mais ilusório dos delírios como verdade
É do mais ardiloso veneno que se bebe, porém
Insaciável, nutre-se em grandes sorvos de ingenuidade
Incapaz de distinguir o que lhe é realmente o bem
Olhos que marejam ilusão não divisam a realidade

É chegada a hora de libertar-te do covil de outro alguém
E das vis artimanhas que lhe afogam em maldade
Permita a tua alma respirar e exalar todo o poder que contém
Enterre no passado o tempo em que fostes um covarde
É tempo de voar ao templo de onde a toda a glória provem
E desfrutar da maior dádiva da tua existência, a liberdade.


(Leonardo Donisete)

Ao podre meu pai

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É com grande insatisfação
E vontade de suicidio
Que escrevo com minha mão
Essa carta-homicídio.

Homicídio pois te mato.
Te mato dentro de mim.
Não mereces ser meu pai...

Eu, criança-puta,
Trabalho como prostituta
Fazendo do meu futuro
O teu desejo de consumo,
Pago.

Pois é.
Destruiste sonhos de jovem.
Tornou-os cinzas.
Migalhas!
És do Cartola, o moinho.
Do Chico, roda viva.
De tantos outros, perdição no caminho...
De mim,
Fizeste bicho de palha!




Fique com o seu Deus.


(Guilherme Reis Holanda)

Caos meu e Cosmos teu

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Meu caro amigo,
Sabes que muito te admiro...
E, com esses versos, me refiro
Ao seu vício desnecessário:

Nossas idéias,
Tão em trapos,
Emboladas,
Estão num mundo onde
Ventos moem casas
E, no fundo,
Não há destinatário!

Então, me pergunto:
O que deu na tua cabeça
De achar que a escrita e sua beleza
Estão por aí, a se organizar?

Te digo:
A palavra é leve,
Pura.
Não tem pecado.
Nem luxúria.
Não é de se enfeitar.

Admita...
Somos apenas vã matéria.
P'ra que perder tempo
Levando como coisa séria
Essa linha feita dita?

Reconheço!
Juro que reconheço!
Por mim, toda arte deve ser lida.
Mas, cá entre nós,
Por que a formalidade?
Perdes tempo.
Aumenta a idade.
Tira a vida.


(Guilherme Reis Holanda)

Revolución(?)

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Respeito;
Um.
Igualdade;
Dois.
Tentaram impedir a voracidade da natureza.
Três. As idéias são reais. Pessoas,
Passageiras.
Quatro Cinco
Indignaram-se com injustiça Seis Sete
Nove
Centos
Mil
Milhões...
A física reprime
A Meta- levanta!
O cheiro de sangue impregna o regime..
E a cabeça se ergue, espanta.




... Quantas mais dessas irão rolar?


(Guilherme Reis Holanda)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

tento, logo, desisto

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Não consigo!
Não consigo escrever versos assim
Desconexos, sem ritmo como vezes faz Quintana...
Vê se me entende.
Admiro aqueles que tem a capacidade
De botar umas palavras e outras pela metade
E fazer uma arte que transcende.

Veja só aqueles versos!
Já estou eu rimando de novo,
Mesmo com aquela palavra ali, gozada.

Perdoe-me os admiradores sem razão
Mas reconheço o meu calão:
Eu sou fraco. Eu sou nada.


(Guilherme Reis Holanda)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Desabafo sobre Desabafo

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Cá entre nós,
Vejo motivos ao escrever!
Não o faço por que quero
Muito menos o que espero...
Faço por fazer!
No covil de pensamentos,
Os escrevo por extenso
Na vontade de não os ter.

Mês que vem ou em outra lua
Eu volte a ler.. Isso me situa
No momento em que escrevi.
deposito um grande peso
no papel. Me sinto ileso
daquela dor que já senti.


(Guilherme Reis Holanda)