segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

à dilacerada corda

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Logo tu, mizinha!
Logo tu que és tão simplória!
Rompeste o caule;
perdeste o jeito bailarina de dançar..
Desabracei-te pelas raízes-pernas.
Senti falta da fada que és pelas cavernas
que os tons mais graves insistem em adentrar!


(Guilherme Reis Holanda)

Fogo - Mística Deusa Criatura

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Fogo, mística deusa criatura
Te vejo enfervecente, digna de moldura.
encandecida, danças e reluzes
num singular canto celeste e tribal.
Modulas. Ebule, esquenta, frita,
escalda, derrete e liquifica.
dá forma pro que hoje conheço por mundo real.

Quantas histórias foram escritas
até o homem manusear o que tu és?
Quantas histórias foram ruídas
por livros e pessoas que arderam aos teus pés?

Há muita poesia dentre os dedos de Nero
e tantas outras que falam da quentura do inferno.
Sucumbistes navios, fábricas, cidades, matas e corações..

Destrói e Recrias.
Sintonizas na natureza;
és do ciclo fadado a transformar as criações.


(Guilherme Reis Holanda)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

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"uma eterna porta entre-aberta."

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a gente cresce,
a gente nota..
se prova..
se aprova!

O momento do riso..
O momento dos lábios..
Vez em quando, o da dor!

..E o dos lábios de novo!

Procurei a escrita (que tanto usas!)
pra tentar explicar nossos momentos..
Admiro suas virtudes, suas crises, suas curvas..
A sua maneira de pensar dos ferimentos!


E descobri o quanto que não se dizer..
Esse sentimento que nenhum homem conseguiu no papel por!
eu falo de ser verdadeiro amigo,
de ser um verdadeiro amante..
de viver um verdadeiro amor!

você é minha eterna porta entre-aberta!


(Guilherme Reis Holanda)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

no jardim

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sentei no meu jardim..
achei inspiração na natureza!
que beleza!
a lua de lado sorriu pra mim..
retribui o sorriso e aceitei a companhia!
o morcego q ia e vinha
fazia sons pra se achar..
junto aos outros sons, ouvi a musica no ar!
uma flor caiu e desceu bela até o grama
aonde haviam outras vivendo algum drama
por na arvore nao estar..
senti o vento passar devagar..
um barulho à esquerda me entreteu!
o que será que faz tal barulho nesse breu?
nao o temi, para ele nao me temer
e o barulho do tal bicho começou a crescer!
pelas coisas em sintonia,
espero que nenhuma mal me açoite!
descobri um sentimento que eu tinha:
não temo as criaturas da noite!


(Guilherme Reis Holanda)

domingo, 3 de outubro de 2010

irmã da vida

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"É na clareza da mente que explode a procura de um novo processo",
e justamente por eu não pensar o inverso
que te escrevo esses versos tortos!
estava eu à alguns anos atrás
procurando uma beleza nas coisas que a vida leva e trás
quando te olhei com meus olhos quase mortos!

estranha sensação de simpatia eu senti..
você quieta, meio esquisita até.. sentada ali
ja tinha herdado minha total confiança!
e depois de um tempo, com as nossas conversas,
comecei a juntar todas as peças:
nascera uma amizade mais intensa que de criança!

oportuna época foi a que se uniram nossas emoções:
corremos à galope na pista das evoluções!
meu cavalo preso ao teu. no mesmo ritmo à cavalgar..
costumo dizer que cada poema tem um clima
mas esse aqui não sei nem por que tem rima..
o que importa é que é pra ti, Clarear!


(Guilherme Reis Holanda)

emsana

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estava ali, eu, indefinível.
perdido e me achando dentro da tal mata fechada..
sentado ali, eu, desprezível.
sentindo o gosto, o cheiro e a cor da pura água..
descidi me aventurar.

subi o fluxo do rio.
um escorregão ali, um outro desvio..
como criança, estava eu aprendendo a andar!

o segredo da caminhada foi olhar pro chão.
cada pedra um desafio:
pensava na força, no modo, no equilibro de se pisar com precisão
enquanto isso, continuava a subir o rio..

calmamente, uma por vez, fiz a minha estrada.
volta e meia eu encontrava uma pedra complicada
mas elas mesmas me diziam o que fazer na situação..
usei do meu corpo tudo que podia.
a água já nao era mais totalmente fria.
da natureza, aprendi a ser um animal de estimação!


(Guilherme Reis Holanda)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O Mito da Responsabilidade

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É nessas horas que procuro me mudar de corpo.
É nessas horas que eu nao encaixo dentro de mim.
No esquecimento das minhas partes responsáveis, quase ambicioso, guardo minhas emoções.. cultivo como flor, colho com malícia, divido com outrém.
Das minhas lágrimas virei refém.
Me pergunto lamentavelmente à que me resumo nos meus dias de máquina, e dentro de mim arma o conflito: em qual dos meus mundos quero a longo prazo viver?
no que digo e expresso o que penso, ou no que é meu dever?
Rasgo essa pele que me cobre. Mofada. Ao mexer nos fungos, eles iniciam o mal-cheirar.
Fora da carapaça respiro fundo, tento responder
essa pergunta que no conflito só se deixa perdurar.

E assim termino tal poema, com fome, insatisfeito.
Depois de tanto tempo prendendo tal pensamento, mesmo que eu o escreva, mesmo que eu o grite, mesmo que eu o destrua com o tempo, nao consigo afastá-lo do meu peito.


(Guilherme Reis Holanda)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

a cabra e a zebra

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Foi numa cidade do interior,
dessas que quase ninguem ouve falar,
que rolou esse tal momento deturpador..
botaram uma cabra e uma zebra pra brigar!

estavam envolvidos a zebra e seu domador
que já não tinham muito o que conversar..
a cabra, pelo seu desumilde pastor,
lutou por que ele nao tinha como a divida pagar!

..mas a história feriria sentimentos
se a cabra e a zebra fossem ouvidas..
se olhavam, cada uma de um lado esperando os momentos
que pudessem se encontrar nas suas vidas!

foi entao que chegou o dia do confronto
e os dois animais um bocado ofendidos
ficaram parados se olhando no mesmo ponto
enquanto seus donos estavam aflitos.

o sol se foi, a noite veio
e assim foram anos sucessivamente.
a cabra nao atacava a zebra e a zebra tinha receio
do que a cabra tinha em sua mente..

foram-se anos até que a zebra caiu
e com um baque forte marcou a grama no chão..
a cabra imóvel de repente sucumbiu
em absoluta e extrema imutável solidão.

a história verdadeira que ninguem sabia
é que os dois animais peludos se amavam..
e naqueles anos travaram uma conversa por telepatia
e a morte levou o amor que entre si eles nao escutavam...


(Guilherme Reis Holanda)

domingo, 5 de setembro de 2010

Conto, Deuses e Natureza

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...Era assim que contavam as histórias mitológicas:
o plano dos homens representa o material
o plano dos Deuses representa o astral
e separados assim, vivem em perfeita harmonia..
os Deuses em sua dimensão, assim digo,
batalham com feras indomaveis e nos protegem do perigo
destas feras invadirem nosso plano algum dia...

O Deus do trovão e seu justiceiro martelo
não se dão o direito de descansar por um momento..
por toda eternidade enfrentam a furia do movimento
dos Colossos de Gelo. Um infinito duelo.
A geada que é feita pelas tais aberrações
seria capaz de transformar a vida num esquecimento..
Mas nao sofremos desse tormento
Pois o tal Deus os extermima com o martelo e com canções.

Um outro Deus eficiente no seu trabalho de defesa
é o que controla a vontade dos mares...
construindo, de água, pilares e altares
auto-afirma sua soberania sobre a presa.
Luta em geral contra monstros marinhos e tritões.
Rege a lenda que já matou um polvo gigante à grito..
o seu tridente serve pra gerar um forte atrito
com aqueles que nao oferecem seus perdões.

E assim funciona o plano celestial.
campos de batalha extensos até o horizonte
são aonde os Deuses destroem bem na fonte
qualquer tipo de criatura contra a lei terrestre..
Elementais, dragões, vormes e quimeras,
Gigantes, colossos, lulas e outras feras,
São exterminados como peste..

...Mas muito não se entende sobre as malicias do mal
e lá nas profundezas do reino celestial
existe a presença de tais artemanhas...
Não se sabe por que houve tal rebeldia,
mas o Deus do fogo, da trapaça, de pele fria,
começou com certas atitudes estranhas...

Os Golens de Magma era seu dever dilacerar
mas percebeu-se que de um tempo pra cá
o seu trabalho não era feito com eficiência..
o Deus de fogo planejou e construiu uma alcova infernal
de Golens de Magma pra invadir o plano material
e acabar com a raça humana e sua demência..

A chuva de meteoros começou de madrugada
E eu sentado ali numa escada
só ouvi os estrondos causados pelas colisões...
Enquanto eu tentava entender a situação
sairam dos meteoros uma legião
de monstros em brasa do tamanho de galeões.

O fim do mundo estava anunciado
enquanto eu observava ali parado
os colossos pulverizavam toda a civilização.
foi quando se ouviu mais um barulho insurdecente
e por mais que explicar eu tente
sairam todos os Deuses de dentro de um furacão.

As essências da natureza se afloraram pelos cantos diversos
Senti-me conectado ao mundo, senti diferentes universos
Sendo aglutinados pra derrotar o inimigo mortal.
Com a combinação dos elementos,
água, fogo, terra, raios, ventos..,
O Deus do fogo e seus Golens de Magma tiveram seu leito sepultal.

E assim termina a história que contei.
Fiquei assustado, comprei outra casa, me mudei,
Não sentaria mais naquela escada com a mesma importancia...
Vendo assim o trabalho dos Deuses no outro plano
percebo o que todo mundo acha engano:
nós não somos nada. somos de extrema insignificância.


(Guilherme Reis Holanda)

sábado, 4 de setembro de 2010

Fogos da Babilônia

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o café,
a cerveja,
o trabalho,
a fome e a insônia.
E todos vendo os esfolantes fogos da Babilônia.
a mulher,
a cereja,
o orvalho,
o haxixe e outras drogas com amônia.
E todos admirando os escaldantes fogos da Babilônia.
a TV,
o estudo,
o jantar,
o sexo e a nossa transformação errônea.
E todos cegos aos brilhantes fogos da Babilônia.
o dever,
fracassar,
se matar,
responder e morrer de vergonha.
E todos bestializados com os inertes fogos da Babilônia.


(Guilherme Reis Holanda)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

aos mendigos

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lembro daquelas manhãs iluminadas
em que passo na Primeiro de Março olhando as estruturas..
eu vejo inumeros quadros sem molduras
como fotos esperando pra serem tiradas!

As manhãs chuvosas também têm sua beleza.
Pessoas se vestem diferente...
Não há um turbilhão enfervecente..
Enquanto na livraria um café é posto na mesa.

..e toda essa beleza edifícica!
nem a razão e nem a física
explicam essa atração atipica
pelo centro da cidade...

os letreiros, os prédios, os cartazes a colorir,
os carros, os passos, os vendedores a ebulir
sempre me darão uma resposta;
não importa o tempo,
não importa a hora,
não importa a idade.


(Guilherme Reis Holanda)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

conto do vigário

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Como de costume, saí para minha caminhada noturna. Eram vinte e três horas. Ainda no apartamento, botei minha camisa amarela, minha calça surrada, meu sapato velho, meu casaco de calda longa e dei comida para os meus cães e gatos. Quando abri a porta, senti a brisa mórbida da cidade nas minhas entranhas. Nos becos, ouvi estupros, assassinatos e roubos. Nos bares vivi a bebida desconcertante. Nos apartamentos eu imaginei pessoas sonhando. Apenas sonhos. Como pode ver, hoje não teve nada de novo pelas ruas. Dói saber que banalizei estes absurdos.

Toda noite, enquanto observo a insanidade da nossa raça, eu leio os cartazes pregados nos postes desta cidade: Videntes, oficinas de carro, fretes, prostitutas, empréstimos, procura de animais perdidos... Faz anos que me preocupo com o último destes itens. Passo semanas procurando o mesmo animal para devolver ao seu dono. Nada neste mundo deveria ter a oportunidade de assistir à nossa podridão. Preocupo-me principalmente com gatos e cães, pois as aves podem sumir. Já os animais que não possuem um lar, eu os acolho.

Mas esta noite foi diferente. Depois de vinte e três anos vagando pela escuridão, dirigindo a minha palavra somente para animais irracionais, esta noite precisei conversar. Eu não agüentava mais a angústia de ter a escória de todos guardada somente para mim. Disquei um número aleatório no meu telefone residencial que não era usado todos esses anos. E impressiono-me como você, estranho que está me ouvindo, não desligou o telefone e me ouviu atenciosamente. Não vim trazer-te pesadelos. Apenas vim trazer-te a verdade. Obrigado pela ajuda.

O procurador de animais desligou o telefone. Levantou-se do sofá mofado e dirigiu-se às suas crias. Eram no total vinte e três criaturas. Em seus olhos, via-se a gratidão que eles tinham pelo procurador. Com a face demonstrando o cansaço de viver, o velho homem deitou na sua cama de trapos, desejou não ter nascido e adormeceu para acordar no seu próximo dia de desespero.

Distante de lá, paralisado em seu assento, estava um nomeado executivo, refletindo sobre o monólogo que acabara de ouvir no telefone...


(Guilherme Reis Holanda)

a última passeata

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... E era uma daquelas tardes em que não se sabe se o centro da cidade ferve pelo sol ou pelos passos.
A horda juvenil tropeçava pelas ruelas fazendo o turbilhão girar mais rápido do que o normal. Quem os via na rua não entendia o propósito de tal passeata. Seus olhos olhavam os vazios.
Na cabeça dos jovens andarilhos, o pensamento conflituoso sucumbia: Será que tal atitude valerá a pena? Não estarão aqui para ver o resultado. Fariam tal ato balançando na corda que, ao cair para esquerda, morria-se por ideais. Á direita, por descrença do mundo.
Quando todos se posicionaram na praça movimentada, atrapalhando a rotina dos demais, um carro com caixas de som circulou o local e estagnou do lado esquerdo dos manifestantes.
A cidade parou para assistir.
Do carro, saiu um rapaz, subiu no porta-mala com um microfone na mão. Sem demorar, se pronunciou:
- Boa tarde. Desculpe o transtorno no seu calmo dia, apesar de ser esta minha intenção.
Mais olhos pararam para assistir.
- Dirigindo até aqui, me perguntei muitas vezes se faria sentido essa nossa manifestação... Acho que sim. Depois do meu desgosto por tudo, não consigo me calar, e pretendo dar o último grito de rebeldia contra as banalizadas, cansativas e repetitivas injustiças feitas pelo mundo.
Houve uma pausa. Junto à lágrima no seu rosto, era notável a sua insatisfação por estar discursando sobre dores tão desconsideradas. Puxou uma arma de sua calça.
- Sem mais. Aqui, quem se pronunciou foi Alberto Silveira, 22 anos.
Apontou a arma para sua cabeça e espirrou gotículas de sangue pelo ar.
Naquele instante, o mundo se calou. Todos os mortais que estavam ali presentes visualizando a cena ficaram sem reação.
O jovem mais próximo do carro agarrou o microfone e não demorou a puxar uma arma de seu bolso.
- Silvio Teixeira, 17 anos.
Apagou-se.
Prosseguiram, Ana Marta de 28 anos, Luis Guilherme de 18, Frederico de 20, Gabriel, Ernesto, Fernanda, Luiza, Hélio, Anas, Beatrizes, Lucas e Caios dentre muitos outros mais..
Um após o outro, sem espaço de tempo para se pegar de volta o fôlego, os jovens se deitavam forçadamente no pavimento.
As pessoas berravam, corriam e choravam avistando tal chacina de suicidas juvenis.
Uns desistiram, outros soluçaram. Quase duas centenas de mortos em menos de meia hora.

Curiosamente, o final de tarde sujou o céu de vermelho. Depois houve outro final de tarde. E outro, e outro, e outro e outro..
O objetivo da passeata foi cumprido. A atenção foi ganha.
Depois da remoção dos corpos, depois da chuva lavar as ruas, depois de uma estátua ser erguida pelo movimento dos jovens inconformados, o centro da cidade nunca mais foi tão idêntico como sempre.


(Guilherme Reis Holanda)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O sabor amargo das frutas doces

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numa bucolica vila do interior
isolada do resto das coisas habituais,
rolava certa tradição estranha.
tradição herdada de ancestrais.

ao amanhecer do quinto dia de um sentimento,
enquanto as arvores dançavam com a musica do vento,
uma moça formosa abriu a porta de sua casa.
estava lá, uma cesta escostada no chão
de morangos. representando a paixão
de um jovem que fervia de amor em brasa.

certo boato já dizia
que aquela velha com a casa vazia
recebera uma podre maçã.
de acordo com a lenda da cidade,
foi pra alertar os moradores da verdade:
há muito tempo que a velha não era sã.

o abacaxi tambem era comum aparecer na porta
sempre seguido de um belo e raivoso grito.
grito dado pelo homem que encontrou a fruta torta
significando que na cidade ninguem o acha bonito!

E assim seguiu a tradição por gerações.
uvas, peras, kiwis e melões
tinham o proposito unico de dar um aviso em especial.
cuidavam-se todos pra nao receberem tal presente.
só quem recebera sabia a frustração que se sente
ao achar uma fruta na entrada do seu quintal.

foi dai que começou a historia realmente:
ninguem sabe quem mandou a fruta naquele dia..
foi deixado na porta do pastor um maracujá com caroço de semente
sinalizando que sua amada reviveria!

estupefato com a tal fruta exibida
o padre sabia que só Deus, o maracujá podia ter enviado
colheu laranjas que representavam a vida
e destribuiu para todos os lados.

o povo sem saber a historia bem contada
ja foi inventando uma desculpa pra isso tudo.
achavam que o padre sinalizara as laranjas da vida
por que planejava ressucitar os mortos pra todo mundo.

O dia da ressurreição tão esperado
só não chegou tão de pressa quanto a noticia que o padre milagres faria.
e depois que a sua mulher havia do tumulo levantado
o povo queria a sua parte da profecia:

"onde está a minha mae viva novamente?" o pobre perguntava
"e os meus filhos?", um outro indagava.
o pastor tentando se explicar, disse que havia distribuido laranjas por alegria.
mas suas palavras haviam sucumbido com os ruidos.
as pessoas já vinham com cacos de vidros
e sua palavra de mais nada valia.

com a mesma intensidade de uma espera de onibus no ponto
os cacos de vidro foram exatamente de encontro
com a existencia do padre e de sua mulher.
os dois foram tão avidrejados
que a unica coisa que sobrou deles, ali parados
foram os calçados rasgados que vestiam no pé.


(Guilherme Reis Holanda)

sábado, 31 de julho de 2010

elas

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me mortifico;
vejo graça naquilo que antes não havia necessidade.
me divirto;
lembro do que diziam:
entenderás assim que chegar a uma tal idade.

em mim, conflito;
não sei se elevo ou se afundo.
então, reflito;
me sinto quase à sete palmos
mas também por cima do mundo.


(Guilherme Reis Holanda)

versos frustrados

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existiria algo mais mortal
cruel
que a falta da criatividade?

uma forma de se expressar,
particularmente,
acho que cada um tem que alcançar
pra não morrer tropeçando no meio-fio da cidade.

em um ato de desespero
boto meia duzia de palavras trocadas
frias
nesse pedaço de papel.

tenho medo de me calar.
tenho medo de nao estar lá
quando for necessário que eu mande um grito alto lá do céu.


(Guilherme Reis Holanda)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

intantâneos sentimentos

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Era um meio cigarro fumado,
jogado no chão, apagado,
sujo com uma marca de batom.
Me perguntei de quem seria tal artemanha.
Me invadiu uma sensação estranha.
Me veio um sentimento bom..
Como poderia ter tanta ternura
Se, usando tal produto, só imagino uma mulher impura?
Seria por causa, da cor dos lábios, o tom?
Segui sem conseguir ouvir o som da estrada.
Dessa mulher, sei absolutamente nada.
Mas me encantou com meio cigarro fumado,
jogado no chão, apagado,
sujo com uma marca de batom.

(Guilherme Reis Holanda)

2010.2

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estava eu andando por uma dessas florestas de galhos retorcidos.
como flores, se penduravam idéias e sonhos esquecidos.
me pus a observar.
a tristeza me incendiava por não vê-las florecer..
me briguei, me bati, me fiz entender..
não era aonde deveriam estar.

surgiu se esquivando das pontas agudas
um macaco desses que ouve histórias pelas mudas
e de tudo sabe um pouco. se pos a explicar.
me explicou em uma dessas linguas intendiveis por bom senso
que os sonhos e as idéias não estão ali para o que eu penso.
estão penduradas apenas pra eu me recordar.

foi daí que eu percebi a que arvore ele se referia.
eu, caminhando ali, perdido na tal floresta fria,
via e recordava dos sonhos e idéias. em mim, começaram a aflorar.
a árvore da vida está dentro de nós.
é preciso colher as sementes importantes e dar-lhes voz
pra destacar o rastro de primaveira que deixamos ao caminhar.


(Guilherme Reis Holanda)